GBEM-FMB-UFBA

Ética e ensino médico

In Discussão / Sugestão de leitura on 05/08/2014 at 10:36 PM

TURMA DE ÉTICA

Acadêmicos de Medicina – UFBA

A carreira médica, ao longo da história, despertou admiração e desfrutou de muito prestígio perante a sociedade e os seus conceitos primordiais referentes ao cuidado com o próximo sempre estiveram presentes no imaginário de todos e se revelaram de forma singela já nas brincadeiras da infância em que tratávamos de bonecos com toda a dedicação do mundo.

Evidentemente, isso vai gerando expectativas positivas e de forma inevitável não conseguimos dissociar o trabalho médico da atenção respeitosa e digna aos pacientes.

No entanto, a educação acadêmica, repleta de conceitos científicos e pesadamente instrumentalizada, vai pouco a pouco criando um abismo entre a idealização de uma Medicina pautada em bases humanísticas e a prática prioritariamente embasada na abordagem tecnicista.

A introdução de eixos humanísticos na formação médica e a propagação de ideais que se fundamentam na valorização das singularidades dos indivíduos passam a alimentar uma nova cultura pela qual o ensino não se sobrepõe àqueles a quem devemos dedicar nossos conhecimentos, mas que, pelo contrário, se alinha à eles numa perspectiva segundo a qual devemos adaptar cada parte do nosso aprendizado ao ser humano em suas multifacetadas apresentações.

Sendo assim, podemos nos conscientizar de que o paciente é o motivo pela qual todo o aprendizado médico se torna significativo e o justo reconhecimento desse fato nos conduzirá certamente à uma atividade em Medicina cujas tecnologias se potencializarão em eficácia.

Se, por outro lado, perpetuarmos os antigos conceitos pelos quais a “a clínica é sempre soberana” no sentido de que qualquer técnica consagrada se justifica em si mesma na sua aplicação, distanciando-nos das demandas individuais e das possibilidades de adequação de tratamento, certamente vamos produzir ineficiência sobre um gigantesco lastro de frustrações e, quem sabe um dia, aquelas expectativas tão cheias de virtuosismo atribuídas aos médicos se percam e, enfim, despareçam das mentes daqueles que são, na verdade, nossa própria razão de existir.

Por Luís Cláudio Porto Góes
Acadêmico de Medicina – UFBA

(Texto escrito por ocasião da Atividade Lúdico-Cultural em julho de 2014)

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  1. Excelente reflexão Luís Cláudio. De fato, o que nós médicos devemos ter como medida é que a clínica só pode ser soberana se aplicada a cada caso, ou seja, o entendimento que tratamos indivíduos e não exames e por isso mesmo, cada tratamento tem que ser individualizado. A nossa atenção dirigi-se pois à pessoa em toda a sua singularidade – nos seus aspectos psíquicos, sociais, culturais – e não apenas à doença. Essa compreensão traduz-se em uma relação médico-paciente respeitosa, responsável e solidaria, a prática da Medicina como arte e como técnica.

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  2. Importante esta valorização do paciente! Texto ótimo!

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